segunda-feira, 16 de novembro de 2015

O Medo Paralisante da Crítica




                                                                       
O Medo Paralisante da Crítica
(O Corajoso Compromisso do Atuante Iluminado)


            Ninguém é obrigado a fazer Teatro. Fortalecido por convicções muito fortes, considero que muitos indivíduos deveriam, sem remorsos, eximir-se dessa atividade humana tão prazerosa, porém, exigente de dedicação, disciplina e sacrifícios. Todavia, se o seu espírito inclina-se de maneira irrefreável para o ofício cênico, realize-o com o primor dos mestres e, pleno das motivações corretas, caso contrário, pela força do tempo que sempre revela todas as contradições, você poderá tornar-se um estorvo para a arte teatral e criar imensos problemas para si mesmo.
           Todos os artistas da cena estão sujeitos a crises e situações difíceis durante a vida profissional. O ambiente que circunda a nossa arte está repleto de muitas energias, algumas extremamente benéficas e outras abjetas. A conscientização da influência dessas forças no processo criativo, para os atuantes, é essencial na diminuição do impacto negativo que algumas delas exercem sobre o produto final do trabalho, o espetáculo. Este ensaio visa contribuir para minoração do efeito destrutivo de uma das mais poderosas influencias energéticas que atores e atrizes enfrentam: “O Medo Paralisante da Crítica”.
            Antes mesmo de entrarem em cena, alguns atuantes, literalmente congelam com o pavor de um possível julgamento contrário as suas aspirações, é como se o ato teatral fosse um crime digno de culpa ou absolvição. Absolutamente pueril e de certa forma irracional, tais comportamentos e sentimentos não são resolvidos num passe de mágica. Grande parte de nossas vidas na arte passamos criticando, as vezes ferozmente, as manifestações cênicas que consumimos. O efeito dessa prática recorrente, volta-se contra nós mesmos, então começamos a internalizar um certo pavor da não aceitação do nosso trabalho e, consequentemente, das nossas personasA vontade de atuar, confunde-se, em um grande número de casos, com a necessidade de ser amado, essa necessidade, na cabeça do artista, significa ter a aprovação (de preferência verbalizada) da nem sempre justa classe teatral em primeiro lugar (alguns forçam a aprovação e se comprazem nela), dos parentes e amigos em segundo plano, estranhamente, em último lugar, do anônimo público pagante.
          Vítimas de vaidade aguda ou baixa estima crônica, no momento do comentário, indicativo do suposto fracasso, apontado por um “colega do teatro”, alguns pensam em desistir do ofício, outros passam anos sem executar nenhuma proposta mais relevante em virtude do terror da crítica e passam a vida murmurar a eminente desgraça pelo mundo afora.
          Existe remédio para este mau? Como livrar-se da doentia dependência do elogio dos colegas de ofício, em muitos casos, como sabemos, hipócrita? Qual a cura da esquizofrênica necessidade de “arrasar” e ser reverenciado no cenário teatral no qual habitamos? A pergunta para todas essas questões resume-se em única palavra: ESTUDO.
          Quando estudamos compreendemos que o universo do teatro é bem maior que uma confraria de comadres ou um poleiro de pavões. O ato de estudar nos qualifica a entender que qualquer perspectiva cênica, inclusive a nossa (as vezes enxergamos tudo, menos o nosso umbigo), é passível de sucessos e fracassos e que ambos, são temporários, aparentes e relativos. Compreendemos, ao aprofundar o conhecimento, que fundamentar aquilo que realizamos torna-se nosso escudo contra malfadadas críticas, proporcionando-nos maturidade para aceita-las e, até incorporá-las, ao nosso aperfeiçoamento quando construtivas (aliás elas também existem). O comprometimento com nossa arte passa, invariavelmente, pela condição permanente de aprendiz e por uma dose ilimitada de coragem.
          Portadores dessa valentia percorreremos nosso caminho, enfrentando derrotas, as vezes mais valiosas que vitórias, as duas, certamente transitórias. Caminhemos destemidamente, com um sorriso nos lábios como quem diz: “- A luz que plantei em mim inundou a minha arte e, esta fonte, jamais se extinguirá."

Adriano Abreu
Diretor do Coletivo Piauhy Estúdio das Artes
Fim da Estação Seca




Teresina- Piauhy

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Arte Para Liberdade da Tribo




Arte Para Liberdade da Tribo

      A arte, como tudo que se aplica a vontade e a criação humana, está se distanciando da realidade premente da longa aventura humana no belo planeta azul.
       Vivenciamos uma volta em direção ao hedonismo. Neste sentido, conclamamos aos seres que se dedicam a arte, a lutar por experiências que façam com que o humano, humanize-se. Tornar o esforço do fazer artístico uma busca pela paz e, sofrer para alcançar a paz, não é tarefa para egoístas.
       Ególatras são os artistas que veem o trabalho na arte como fonte de supressão dos ímpetos de fé e amor. Egoístas são os artistas que tornam sua arte fetiche para poucos. Orgulhosos são os que tornam suas buscas estéticas, meros objetos de repressão da força transformadora dos homens e mulheres.
         A virtude chega na arte quando coloco minhas realizações a serviço da evolução espiritual dos protagonistas e espectadores do objeto artístico. Hoje, mais que ontem, necessitamos buscar a verdade e esquecer os relativismos no campo da criação do fenômeno cênico. Aqueles que discutem a finalidade desses objetos de forma tristemente egocêntrica estão fadados a se perderem pelo caminho.
        O caminho é a cura das dores da alma, através do encontro com o Deus que habita dentro de cada um de nós. A negação do divino nas nossas existências é a negação de si mesmo.
         Preocupações individualistas distorcem o ser artista, o reduzem ao que podemos chamar: “salvador daquilo que nunca pôde salvar”. A luta é por uma cena rica de beleza da verdade.  Esse conceito regenera o povo e o concentra nas veias da iluminação.
          O princípio que deve guiar nossas ações será: O artista vive e trabalha para os homens e mulheres da tribo. Almeja que eles percorram, com relativa segurança, os vales das sombras da existência. Artistas e sociedade rumo a certeza de uma vida plena de sabedoria e conhecimento.  Quem constrói a arte são os homens e mulheres e em seus nomes ela será exercida, sem egoísmo, vaidade e com ampla firmeza no propósito da busca da verdade e harmonia com todas as coisas da Terra.

Adriano Abreu e Coletivo Piauhy Estúdio das Artes

Fim da Estação Seca

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Atuar Verdadeiramente! Ato Único de Libertação!



Atuar Verdadeiramente!
Ato Único de Libertação!


“Não alcançamos a liberdade buscando a liberdade, mas sim a verdade. 
A liberdade não é um fim, mas uma consequência. ”

(Leon Tolstoi)



                      A liberdade do ator deve ser total. Isso é um fato inquestionável para os que buscam a autenticidade.  Todavia, o que vem a ser essa tal liberdade? Como o atuante consegue ser completamente livre para criar o seu papel, abrindo-se de forma confiante para ele, ator-doando-se nele?

                      O que aprisiona os atores e atrizes são suas percepções passivas do papel, então eles acreditam cegamente que podem se esconder por trás de alguma tradição, ou o que é pior, revoltar-se contra as tradições, considerando-as como grilhões que devem ser rompidos. Afirmo, tanto uma quanto outra posição encarceram os artistas da cena em falsas convicções.

                      Então atores e atrizes continuarão perdidos, debatendo-se ou omitindo o problema fundamental da liberdade. Vociferando, ou silenciosamente magoados, os atuantes continuam vendendo muito barato o seu inalienável direito de serem livres. Pois nenhum encenador, minimamente capaz (a praça está repleta de incapazes), aliena o artista da sua automia criativa, se assim o faz, a justificativa sempre é a omissão ou ação equivocada dos mesmos.

                      Dirigi um artista que possuía muitos recursos criativos, no entanto, fui rechaçando uma a uma as soluções que ele me apresentava para construção da personagem, é necessário ressaltar que algumas dessas soluções eram realmente muito boas, porém, eu queria algo mais daquele ator, almejava o extraordinário, vaidade de um jovem diretor que se aventura a dirigir um atuante talentoso, ele não reclamava, tão pouco se rebelava silenciosamente, como o fazem os hipócritas, apenas, trabalhávamos os dois à espera do imponderável. Foram horas naquele frenesi da criação de uma categoria essencial para os homens e mulheres do teatro, a busca suprema da verdade, onde só os verdadeiramente livres ousam chegar. Naquele exato momento, quando o caos psicofisiológico e a exaustão buscam desesperadamente a ordem, o nosso ator balbuciou uma palavra: - MÃE! Até hoje não consigo dimensionar o que aconteceu naquele exercício de cruel libertação, o certo é que naquela ação de absoluto desnudamento, a sala de ensaios ficou minúscula para tanta vibração, e eu, um pobre e jovem diretor, tonteei e não pude dizer mais nada. O atuante tinha conseguido finalmente conquistar sua alforria. Depois desse fatídico dia, realizamos a apresentação combinada, e ele nunca mais atuou.

            Onde a mentira acaba e as verdades eternas do teatro fazem morada, ali reside a liberdade de atores e atrizes. Qualquer outro discurso tradicional ou contemporâneo, conservador ou vanguardista, serão perca de tempo. Teatro é para quem tem coragem e sabe, que destruir é muito fácil, mas construir é para os valentes da vida inteira.

Dedico este texto ao ator Carlos Betão, pois sabe escutar verdadeiramente em cena, uma das mais difíceis tarefas para um atuante.

Adriano Abreu
Diretor do Coletivo Piauhy Estúdio das Artes
Teresina – Estação da Seca

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Sobre a Memória, o Teatro e a Vida


Dedico este texto ao Centro Cultural da Barroquinha,
 local mágico, onde cometi este escrito por sobre as "ruínas da memória".



Sobre a Memória, o Teatro e a Vida

“Estas pedras se gastam com o tempo.
Vão lentamente se desgastando
e o tempo lhes sobra para as lembranças
que não conservam...”
H Dobal

            O conselho que os grandes mestres me deram é que quando o sentimento de insegurança invadisse a minha alma, eu deveria retornar as minhas origens, aos meus primeiros dias na arte.
            Como fazê-lo? Nestas “ruínas da memória” tudo parece entrecortado, as imagens vêm e vão, já não fazem mais tanto sentido, como naqueles momentos distantes. O mundo mudou, a cena não é mais a mesma e o homem em que me tornei não representa os anseios do passado.
             Lembro-me de um garoto vestido de papel celofane vermelho versejando “A Morte do Leiteiro”, auditório de escola lotado, deveria ser eu, talvez não fosse, tempos depois contemplei um casal de artistas representando a história de um sujeito que abandonando a mulher, alistava-se na Legião Estrangeira, e apaixonava-se por uma camela, recortes de um teatro ingênuo, hoje esquálido para mim.
             A primeira vez que fui a uma casa de espetáculos, dessas de cortinas vermelhas, refletores de verdade e palco de madeira, foi no desfigurado, mas ainda majestoso, Teatro 4 de Setembro, subi para o balcão no terceiro pavimento, não queria ser visto, temia que algo terrível pudesse acontecer, nada aconteceu, os atuantes vistos do terceiro piso pareciam anões, um deles imitava um cientista louco e em seguida uma leva de atores e atrizes gritavam palavras de ordem incitando a sublevação, tudo tão bonito dantes, hoje, apenas poeira de lembranças. 
              A cidade era Piripiri, sertão do Piauí, o ano não recordo, o adolescer ficara para traz, e a cena já fazia parte dos meus planos, porém, com frágeis convicções, quanto tempo perdido ou ganho em frágeis convicções? Acompanhava uma trupe teatral onde os artistas passaram boa parte do dia recolhendo galhos e flores, que comporiam um cenário improvisado, composto daquelas folhagens que certamente estariam murchas ao anoitecer. Contudo, naquela noite, veria uma coisa que impregnaria meu ser para sempre, o texto era as “Criadas” do genial Jean Genet, meu sentimento era que havia um profundo senso de ordem naquele incrível espetáculo, contrariando o caos da vida daquelas personagens. Ali, por entre flores murchas, vi três atores incendiarem a cena.
              Misteriosamente acabei trabalhando com aquele grupo por muitos anos, aprendi com eles, discordei, rompi com aquelas pessoas fantásticas, larguei o teatro, quando o grupo acabou, retornei ao ofício, fiz meu próprio caminho.
              Ainda me surpreendo, emocionado, com algumas  coisas que fiz e faço, muitas vezes não me reconheço nelas, são os enigmas desta prática mágica que é o teatro. Cometi mudanças existenciais radicais, magoei dilacerantemente pessoas, alegrei muitos com a minha arte, dei e destruí esperanças, o teatro é feito de coalizões e rupturas, amor e dor.
              Sempre lembro da humildade soberba dos grandes artistas que tive a honra de contemplar, aprecio o esgarçar do tempo me impregnando nos grandes trabalhos e, trago uma certeza; as luzes sempre se apagarão no final de tudo, nossos espectadores indiferentes, aborrecidos, enternecidos ou extasiados retornarão para uma vida que nós, gente de teatro, jamais reconheceremos como única.

Adriano Abreu
Diretor do Coletivo Piauhy Estúdio das Artes
Salvador – Bahia
2015

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Festival Latino Americano de Teatro da Bahia: Nomes, Processos e Reflexões.

Fotos: Sidney Rocharte e Alessandra Nohvais
                                                                                                      


“A luz do teatro é aquilo que acreditamos
 com todas as forças do nosso ser....
Isso é essencial. Acreditar!
Adriano Abreu


           Este texto é, sobretudo, um agradecimento ao Oco Teatro Laboratório, e a todos os organizadores do FILTE-BAHIA 2015, pelo convite a nós do Coletivo Piauhy Estúdio das Artes (representado por mim, Adriano Abreu e pela atriz Silmara Silva) a participar do 3º Encontro do Núcleo de Laboratórios Teatrais do Nordeste - NORTEA, bem como, das demais ações promovidas pelo 8º Festival Latino Americano de Teatro da Bahia, ocorrido no período de 11 a 20 de setembro na cidade de Salvador.

           Durante o evento realizamos duas pequenas ações: o Colóquio Teatro em Estado de Magia (Uma Perspectiva na Formação do Atuante Através da Arte do Espetáculo), no segundo dia do NORTEA, que foi realizado no Espaço Cultural Xisto Bahia, e o estatuísmo de Silmara Silva, com a instalação LUME (Uma Boneca de Luz), no penúltimo dia do festival, no Farol da Barra. Ainda participamos de uma mesa redonda composta por 10 programadores de alguns dos mais importantes festivais de artes cênicas do país e, representantes da FUNARTE-MINC, onde podemos falar brevemente sobre o Festival de Teatro Lusófono, que a partir desse encontro, merecidamente, estará incluso nesse novo fórum de grandes festivais nacionais e internacionais, através do seu coordenador e curador Francisco Pelé, membro do Grupo Harém de Teatro.

           Assistimos 18 espetáculos, 15 apresentações de processos e metodologias, através do NORTEA, participamos do encerramento da Oficina de Circulação e Internacionalização de Teatro, ministrada por Marcelo Bones, onde alguns dos principais grupos teatrais da Bahia tiveram a oportunidade de apresentarem suas propostas em uma rodada de negócios aos programadores dos festivais.

            Para nós, do Coletivo Piauhy Estúdio das Artes, ficam muitas reflexões, como também, algumas ações que podem ser realizadas no Piauí, o que nos traz imensas responsabilidades, com a cena piauiense e brasileira:

            Na lista das reflexões, consideramos oportuno um questionamento profundo sobre o atual estado do mercado teatral brasileiro. Onde ele oportuniza os novos produtos cênicos e onde ele é excludente? Quais os horizontes e limitações para circulação e fruição dos bens teatrais na contemporaneidade? Sobre a cena teatral contemporânea é necessário aprofundar. Onde ela vibra com novos sentidos e visões? Por que em determinados momentos se entrega ao discurso vazio? O trabalho de grupo, revigora-se, ou apenas resiste a “nova ordem cultural”? As respostas a essas, e outras questões não menos pertinentes, definirão o universo teatral nas próximas décadas. E no Piauí? Como fortaleceremos as “Expressões Cênicas Piauienses”, que ainda sobrevivem fortemente calcadas em um diletantismo histórico, muitas vezes cultuado como virtude (com raras exceções)?

           Algumas ações podem ser implementadas (e já começam a ser), a partir da nossa participação no FILTE-BA 2015, que poderão contribuir para o avanço do Teatro Brasileiro de Expressão Piauiense, avanço esse que tem nos motivado sempre, de forma programática, em um esforço cotidiano individual e coletivo através do estudo e pesquisa constantes, posicionamento político e estratégico, revelados nos nossos inúmeros projetos, ações e princípios. Portanto, dentre os possíveis desdobramentos da nossa experiência nesse importantíssimo festival podemos citar: possibilidade da realização de uma edição do Núcleo de Laboratório Teatrais do Nordeste - NORTEA no Estado do Piauí, convidando as Universidades Federal e Estadual do Piauí para o encontro, provocando, dessa forma, essas instituições para definitiva instalação do curso de teatro em suas opções de graduação; inserção de alguns espetáculos locais em grandes festivais nacionais e internacionais, como também, nas circulações e diálogos patrocinados por estes eventos, gerando formação, reconhecimento, crescimento e inovação para cena local; aprofundamento das pesquisas do Coletivo Piauhy Estúdio das Artes e de, outros grupos parceiros, com a possibilidade a médio prazo, de que diretores e especialistas em artes cênicas de outros estados brasileiros possam realizar trabalhos (oficinas e montagens) conjuntamente conosco, esses intercâmbios poderão acontecer em mão dupla; fortalecimento do Teatro Brasileiro de Expressão Piauiense, através de processos colaborativos entre grupos e pessoas, como aconteceu recentemente no 6º FESTLUSO  e na Mostra de Teatro Arte ao Alcance de Todos (Grupo COTJOC), onde o Coletivo Piauhy Estúdio das Artes pôde dar uma contribuição, como grupo parceiro, nessas ações fundamentais para nossa arte.

    O FILTE-BAHIA 2015 foi construído por um número incontável de seres humanos, imbuídos de firmes propósitos na construção do Teatro Brasileiro e Latino Americano, preconizando um futuro que se avizinha forte, afetuoso, porém, com muitos precipícios e, trabalhos hercúleos a serem realizados, no sentido da sua eternização na alma da civilização. A algumas dessas pessoas, prestamos nossa amorosa homenagem, contemplando, representativamente, a todos que construíram esse “Festival Baiano de Teatralidades de Latino América”:

Espectadores: Mona e Deusi.
Atuadores: Luiz Jr, Silvero, Eddy, Márcia, Flávia, Caio, Betão, Daniel.
Encenadores: Thiago, Yuri, Alonso, Gil.
Programadores: Alaôr, Paulo de Castro, Paulo Vítor, Yasca, Alexandre, Dani, Marcelo e Sergio.
NORTEA: Saulus.
Registro: Sidney e Alessandra.
Organizadores: Marcelo (e sua poderosa Van), Carla, Margarida, Karen, Karol, Renata e Mário.
Coordenador Geral e Capitão da Nau: O Destemido Luiz Alberto Alonso.


Ao Oco Teatro Laboratório e ao  povo  baiano nosso muito obrigado!


Adriano Abreu
Diretor do Coletivo Piauhy Estúdio das Artes
Salvador – Bahia
Setembro de 2015

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Teatro Para Pensar o Piauí! Teatro Para Pensar o Brasil!





Teatro Para Pensar o Piauí!
Teatro Para Pensar o Brasil!

“...fica a certeza de caminhar
em linha reta,
não fugir nunca.
remar contra a corrente, lutar
sem temer os golpes sujos dos que rastejam,
cães roendo os ossos da omissão.
fica a ânsia, o sangue queimando nas veias
até o último momento.”
Paulo Machado

          No mês de julho de 2015 o Coletivo Piauhy Estúdio das Artes apresenta seu solo “Exercício Sobre Medeia” no Estado Rio Janeiro, no histórico Teatro Glauce Rocha, como convidado a compor o quadro de espetáculos de um Projeto denominado Grandes Minorias, que segundo sua idealizadora, a dramaturga carioca Marcia Zanelatto, apresenta: “um panorama de teatralidades que surgem a partir desse tema, buscando mapear as questões sócio-políticas da contemporaneidade brasileira através da cena, revelando um novo teatro engajado, emocionalmente engajado, que tenha potência poética e pensamento capazes de confrontar a indiferença e a insensibilidade que congelam as relações do indivíduo com o outro e com seu tempo e podem mesmo levar uma sociedade ao terror e a barbárie.”  Motivados por visões como estas construímos o nosso Coletivo, com ações e reflexões intensas e ininterruptas, capazes de gerar forças consideráveis, arrancando da letargia o Teatro Brasileiro de Expressão Piauiense e, ao mesmo tempo, estabelecendo relações com outros agrupamentos, filosofias e éticas da cena nacional e mundial.
           Necessário fazermos uma breve digressão, para que possamos compreender os porquês dessa potência poética, desse engajamento emocional, o porquê do Coletivo Piauhy Estúdio das Artes fazer parte do Projeto Grandes Minorias: o primeiro fator preponderante que nos alinha com o pensamento desse importante evento cênico do Rio de Janeiro e do Brasil é o fato de acreditarmos que nenhuma estética ou linguagem teatral possa comunicar, refletir ou interferir na realidade se vier desprovida de amor ao teatro. Isso significa que não desejamos o vazio de uma proposta meramente bela ou interessante, para o deleite da sociedade pagante. O que nos interessa é restituir a nossa arte algo perdido nos porões de uma visão meramente conceitual. Queremos o teatro do teatro, e a alma que saia pela boca das artes cênicas é a força da atuação.
           Temos nos esforçado, coletiva e individualmente, no sentido da formatação de um modelo de atuante teatral que se compreenda como proletário da arte, um cidadão artista comprometido, intrinsecamente, no combate a tola vaidade, inércia, egolatria e loucura. Defendemos uma perspectiva de homens e mulheres de teatro empenhados na sua própria cura psicossocial e espiritual, como também, com a cura das chagas do mundo. Como plataforma para o alcance desses objetivos tão nobres, nos esforçamos incessantemente, no esmero técnico, estético e conceitual. Essa forma de comportamento traduz o fazer cênico como ação política e atitude existencial.
           Nos últimos cinco anos concebemos e apresentamos três grandes espetáculos: “O Rouxinol e a Rosa”, livre adaptação da obra de Oscar Wilde, “FOGO”, livre adaptação do texto homônimo do piauiense Vítor Gonçalves, “Exercício Sobre Medeia”, bricolagem de textos de autores diversos, inclusive da atriz Silmara Silva, dezesseis leituras de textos, através do nosso Projeto Ciclo de Leituras Dramáticas, envolvendo cerca de 20 atores e atrizes convidados, lançamos um número do Suplemento Cultural Cigarra (o segundo em breve estará sendo lançado),  ministramos diversas oficinas teatrais, sempre com a coordenação de Silmara Silva, fomos destaque no 21° Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga, um dos mais importantes eventos do teatro nordestino, escrevemos dezenas de artigos  e ensaios sobre teoria teatral e política cultural, colocando a reflexão e o debate sobre esses assuntos na ordem do dia, fizemos apresentações em vários projetos como SESC Aldeia Guajajara em Caxias-MA e circulação estadual pelo SESC Março de Artes Cênicas, prestigiamos praticamente todos os espetáculos teatrais produzidos em Teresina nos últimos anos, inclusive colaborando tecnicamente em muitos deles, ganhamos praticamente todos os prêmios  locais na área teatral, bem como, tivemos nossos Projetos aprovados em todos os editais locais de incentivo as artes (em alguns nunca recebemos o valor devido), promovemos encontros e debates, protestamos pública e artisticamente quando nossos direitos foram aviltados pelas Instituições oficiais de apoio à cultura e, finalmente, fomos convidados a Participar do Projeto Grandes Minorias.
            Consideramos nossas atividades ainda muito tímidas, contudo, olhando com certo distanciamento, fica claro que ampliamos muito o limite do possível, tendo em vista, a ausência quase completa de apoio das Instituições Municipal e Estadual de Cultura. Sendo muitas vezes incompreendidos por setores menos atentos e recalcitrantes da Gestão Cultural Pública e até mesmo da classe artística, avançamos sem cessar.  Quando nos perguntam de onde vem o talento e o brilho do Coletivo Piauhy Estúdio das Artes, respondemos sem pestanejar que provem das forças que regem o universo, de tudo que é autêntico, digno, bom e justo. Dessa forma seguimos como no poema a Raça do poeta H Dobal:
“Como fogo dormido
se faz a semente
que gerou esta raça
sem foro de ódio
de igual para igual”

Adriano Abreu
Diretor do Coletivo Piauhy Estúdio das Artes
Especialmente para os anais do Projeto Grandes Minorias – Ocupação do Teatro Glauce rocha

Rio de Janeiro 8 de julho de 2015

quarta-feira, 27 de maio de 2015

A Minoria Dentre as Minorias (Micro Ensaio Sobre a Busca de Luz)




A Minoria Dentre as Minorias
(Micro Ensaio Sobre a Busca de Luz)
“Não sou feliz, mas não sou mudo:
hoje eu canto muito mais.”
Belchior
            As artes cênicas, como toda e qualquer atividade humana produtiva, carecem de profundidades, luzes e reflexões, como uma nau a navegar cautelosamente entre arrecifes, nos propomos a encarar a cerração. No microcosmo “Expressões Cênicas Piauienses” coexistem motivações, comportamentos e visões diferentes.
       Alguns tentam impor esdrúxulos pensamentos, fazeres e ações para o conjunto dos artistas da cena e para própria sociedade. Esta prática é comum, em parte significativa daqueles homens e mulheres que assumem fanática e irrefletidamente, gozando no genérico e escorregadio auto rótulo do ser contemporâneo. Evidente que existem produtos de valor nessa seara, todavia, sobram obtusidades e produtos que de arte só possuem o desejo dos idealizadores.
       A grande maioria, dos nossos colegas da cena, são preguiçosos ou conformados demais para verticalizar estudos e pesquisas que conduzam a algum horizonte. Sobrevivem na superfície dos atos cênicos, a cata de inclusão no mundo da arte, ou em geral, na luta inglória por meia dúzia de trocados. Muitos limitam-se a não fazer praticamente nada, realizando de quando em vez, migalhas artísticas, na doce ilusão da pomposa denominação de artista.
       Neste minúsculo e, paradoxalmente, vasto cenário coexistem ainda aqueles que se esforçam, esquizofrenicamente, pelo reconhecimento, traduzido em falsos e vazios elogios da “classe artística” ou de um público, muitas vezes de gosto adulterado. Pobres criaturas que sobrevivem em estado manicomial e, por mais incrível que pareça, são considerados por muitos incautos como os verdadeiros artistas desse rincão.
       Poucos, bem poucos, guerreiam para agregar alguma essência aos seus atos cênicos e, consequentemente, as suas vidas. Enxergo o Coletivo Piauhy Estúdio das Artes nessa trincheira, A Minoria Dentre as Minorias, um grupo reduzido de artistas que não se encantou pelo canto das sereias da ilusão, inércia, conformismo e desespero. Fazemos parte de uma categoria que é taxada de caretas, mas também, de arrogantes, certinhos demais e difíceis, ultrapassados para alguns e vanguarda para muitos. Sei que trazemos entranhado no nosso modus faciend características de cada uma dessas faces que habitam as cênicas no nosso “longínquo” território, porém, é correto afirmar, a luta é diária para nos afastar daquilo que não nos serve como farol, até porque, na plenitude da escuridão só é possível aprofundar a mais absoluta treva, e é necessário encontrar um pouco de luz para que não atrofiemos o olhar.
         
Adriano Abreu
Diretor do Coletivo Piauhy Estúdio das Artes (fim da estação das águas do ano de 2015)