quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Teatro em Estado de Magia ( uma introdução)

Série Estudos: Teatro em Estado de Magia ( uma introdução)


Teatro em Estado de Magia
(Uma perspectiva para o trabalho cênico no Piauí)
“A magia é a aplicação da vontade humana,
dinamizada, a evolução rápida das forças da natureza”
“Tratado Elementar de Magia Prática”
GÉRARD ANACLET VINCENT ENCAUSSE (PAPUS)

            No trabalho do ator do Piahuy: Estúdio das Artes imaginação e técnica atuam como trampolim para o estado criativo(corpo, mente e espírito vivos que não mentem em situação de representação). Os sentidos devem estar voltados aos objetivos a serem alcançados. Esses objetivos, quase sempre, visam imprimir nuances de energia que atuam sob e sobre o espectador. Essa energia é vibracional.
          Presenças vibracionais(ou vibráteis) são conseguidas de várias formas: sinestésica, intelectual e emocionalmente. Vibrações acontecem quando forças conflitantes atuam no ator e ele permite-se conviver e transfigurar-se nelas(ator-doamento).
         O intérprete, obviamente, precisa corporificar os valores, conceitos e conteúdos que preconiza deve estar "cheio" deles. Por fim a energia é potencializada através da vontade dinamizada do ator(impulso irrefreável para ação), dilatando-se no espaço e no tempo dramático, instaurando uma situação que convencionei chamar de “Teatro em Estado de Magia”.
       “Teatro em Estado de Magia” remete a um modelo de trabalho de atuação, mas também, a uma visão de construção do espetáculo cênico que busca equilíbrio entre os aspectos: estéticos(realistas) e míticos(não-realistas), objetivos(evocam nos espectadores as mesmas sensações e emoções) e subjetivos(evocam diferentes emoções e sensações nos espectadores), concatenados(desenvolvimento de ações no tempo ou alternância de ações) e simultâneos(presença simultânea de ações), conteudísticos e formais. Colocando o espectador como partícipe do processo teatral na medida em que o reconhece como ser sócio-cultural que busca fruição através do ato artístico no intuito de evoluir cultural, valorativa,  emocional e espiritualmente.
Adriano  Abreu
Diretor Teatral
Presidente do Piahuy: Estúdio das Artes.
      

Manoel de Barros: Seis ou Treze Coisas que Aprendi Sozinho (fragmento)


Tem 4 teorias de árvore que eu conheço.
Primeira: que arbusto de monturo agüenta mais formiga.
Segunda: que uma planta de borra produz frutos ardentes.
Terceira: nas plantas que vingam por rachaduras lavra um poder mais lúbrico de antros.
Quarta: que há nas árvores avulsas uma assimilação maior de horizontes.

domingo, 4 de setembro de 2011

Pausa para poesia: Quintana.


Canção do Amor Imprevisto (Mário Quintana)

Eu sou um homem fechado.
O mundo me tornou egoísta e mau.
E a minha poesia é um vício triste,
Desesperado e solitário
Que eu faço tudo por abafar.
Mas tu apareceste com a tua boca fresca de madrugada,
Com o teu passo leve,
Com esses teus cabelos...
E o homem taciturno ficou imóvel, sem compreender
nada, numa alegria atônita…
A súbita, a dolorosa alegria de um espantalho inútil
Aonde viessem pousar os passarinhos.


Não quero estar irritado com determinada situação mas estou.  Quero amar uma pessoa mas não posso amá-la, me apaixono por uma pessoa contra a minha vontade, procuro a alegria e não acho, estou triste, não quero estar triste, mas estou.  O que quer dizer tudo isso?  Que as emoções são independentes da nossa vontade

Jerzy Grotowski




Grotowski é um cidadão da Polônia, que foi arrasada e dizimada pela invasão nazista e pelos campos de concentração concomitantes. Nascido em 1933, ele é testemunha e herdeiro, assim como a maioria de seus atores, da devastação de seu país. A marca daquela carnificina está no trabalho deles. É um monumento abstrato às conseqüências espirituais daquele evento horrendo.E é por isso que a maioria das produções feitas à la Grotowski são necessariamente em sua maioria fraudulentas. Seu teatro tem suas raízes arraigadas em uma experiência local especifica. É orgânico com uma tradição vivida, que foi estilhaçada e difamada por uma iniqüidade inimaginável e vergonha sem limite. Onde falta a uma arte os alicerces das realidades correspondentes, ela é ornamento, entretenimento, ou mais fingimento. (CLURMAN, 1997: 164)